sexta-feira, 19 de abril de 2013

Estudo de dois métodos de amostragem de árvores de rua na cidade de Piracicaba – SP.



Oitis, árvores tradicionais das ruas de Carneirinho-MG. Outubro/2010.

Foto :
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Oitis, árvores tradicionais das ruas de Carneirinho-MG. Outubro/2010.



Pesquiza IPEF
Neste trabalho foi feito um estudo comparativo entre dois métodos de amostragem

de árvores de rua na cidade de Piracicaba - SP.: amostragem por conglomerados e
amostragem com probabilidade proporcional ao tamanho, estratificados por bairros. Foram
estudados 3 bairros de diferentes níveis sociais: alto, médio e baixo. No primeiro estrato
realizou-se uma amostragem piloto com intensidade de 20%. Dentre as características
analisadas, a principal delas foi o número de árvores por quilômetro de calçada, a qual
permitiu a escolha da amostragem com probabilidade proporcional ao tamanho como
método mais eficiente na avaliação de árvores de ruas da cidade de Piracicaba.

As árvores de ruas fazem parte de um ramo da silvicultura que se chama
Silvicultura Urbana, cujo objetivo é o cultivo e manejo de árvores para a contribuição atual
e potencial ao bem estar fisiológico, social e econômico da sociedade urbana. No sentido
mais amplo, a Silvicultura Urbana envolve desde o estudo de habitats para a fauna,
recreação, paisagismo, reciclagem dos resíduos orgânicos, cuidados com as árvores em
geral, até a produção de fibras. Portanto, a Silvicultura Urbana é uma junção da
arboricultura, horticultura ornamental e o manejo ou ordenamento florestal. (COUTO,
1994).
A NATURAL PATH FORESTRY CONSUL TANTS (1991) apresenta como
importância para os inventários de árvores de ruas: a) monitoramento das condições das
árvores visando priorizar os recursos humanos e financeiros para as necessidades das
árvores; b) determinação da composição etária e das espécies, por ruas, bairros e cidades,
com o objetivo de a mostra r a diversidade das espécies e das idades; c) correção de
1
Acadêmica do 10º semestre do curso de Engenharia Florestal ESALQ/USP
Prof. Titular do Departamento de Ciências Florestais, ESALQ/USP

2

30 e 31 de outubro e 1º de novembro de 1996 – Piracicaba/SP

possíveis problemas que poderiam causar danos ao público ou propriedades; d) controle
das podas, serviços e dos custos das manutenções das árvores de ruas; e) monitoramento de
taxa de sobrevivência das árvores recém-plantadas, definindo as espécies mais adaptadas e
os viveiros fornecedores de mudas de melhor qualidade; f) detecção de problemas com
insetos e doenças visando a prevenção e identificação das espécies mais susceptíveis.
Este trabalho teve por objetivo fazer um estudo comparativo entre dois métodos de
amostragem: por conglomerados e com probabilidade proporcional ao tamanho,
estratificados por bairros, desenvolvido na cidade de Piracicaba-SP, a fim de determinar
qual o método mais eficiente na realização de inventários de árvores de ruas, bem como
avaliar a atual situação em que se encontram tais indivíduos nas vias públicas da cidade.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

MILANO (1987), cita que a arborização urbana minimiza os efeitos da instabilidade
microclimática e das poluições atmosférica, hídrica, sonora e visual que afetam a qualidade
de vida urbana, resultando na necessidade de melhor planejar e manter as árvores urbanas.
Para DETZEL (1992), a arborização de cidades, realizada de forma planejada, apresenta-se
como uma opção para a melhoria da qualidade ambiental urbana tendo em vista os
benefícios diretos e indiretos proporcionados pelas áreas verdes e árvores de ruas.
LIMA et al. (1994), afirmam que o levantamento criterioso dos dados, tais como,
identificação, quantidade e qualidade das espécies utilizadas na arborização viária das
cidades, constitui-se uma ferramenta indispensável à diagnose posterior e planejamento
futuro. GREY et al. (1978), Citam que, no levantamento quantitativo e qualitativo das
árvores de ruas para as grandes áreas ou cidades, é comum o uso de métodos de
amostragem que, aplicados corretamente, fornecem resultados confiáveis.
Segundo COUTO (1994), os sistemas de amostragem por conglomerados e com
probabilidade proporcional ao tamanho podem ser utilizados no inventário da arborização
urbana. A amostragem por conglomerados apresenta a vantagem de poder ser utilizado em
áreas com grande variabilidade, além de apresentar baixo custo. Já a amostragem com
probabilidade proporcional ao tamanho é muito utilizada na área florestal e supõe o
conhecimento de uma informação ou covariável antes da amostragem, a qual irá auxiliar na
seleção das unidades de amostra, melhorando a estimativa dos parâmetros da população e
demonstrando a eficiência da amostragem. No inventário de árvores de ruas, a principal
variável é o número de árvores porém e a covariável o comprimento da rua, já que este
pode influenciar decisivamente nos resultados obtidos. De acordo com MILANO (1994),
podem ser adotados sistemas de amostragem aleatórios, sistemáticos ou em conglomerados
em função das características locais,. A amostragem aleatória tem sido mais comum,
devido às características gerais da arborização das cidades. As características da cidade e os
objetivos da avaliação definem o sistema a ser adotado.
Quanto aos métodos de amostragem para a avaliação da arborização urbana,
utilizou-se da amostragem aleatória simples em levantamentos nas cidades de Curitiba-PR
(MILANO, 1984 e 1991) e Recife-PE (BIONDI, 1985); já nas cidades de Piracicaba-SP
(LIMA, 1993) e Bélem-PA (BRASIL, 1994) foi utilizada a amostragem sistemática.

30 e 31 de outubro e 1º de novembro de 1996 – Piracicaba/SP
MATERIAIS E MÉTODOS

O município de Piracicaba localiza-se à 22°42'31"S, 47º38'01"W e à 540 m. Foram
estudados 3 bairros (estratos), de diferentes níveis sociais: alto (Nova Piracicaba, estrato I),
médio (Centro, estrato II) e baixo (Paulista, estrato III). Nos 3 estratos foram realizados 2
métodos de amostragem: por conglomerados e com probabilidade proporcional ao tamanho.
No estrato I foi feita uma amostragem piloto com intensidade de 20% para os dois métodos.
Amostragem por conglomerados: utilizando-se o mapa de Piracicaba, na escala
1:10.000, foram estabelecidos os conglomerados dentro dos estratos. Cada conglomerado
foi definido por uma intersecção de ruas, sendo que procurou-se tomar 3 quarteirões
consecutivos a partir de cada via da intersecção. Foram 73 conglomerados (estrato I), 51
(estrato II) e 27 (estrato III). Os conglomerados definidos eram desbalanceados, sem
sobreposição das ruas. Como a intensidade amostral foi de 20%, selecionou-se ao acaso, 15
conglomerados (estrato I), 10 (estrato II) e 5 (estrato III), onde registrou-se todos os
indivíduos presentes em cada via do conglomerado.
Amostragem com probabilidade proporcional ao tamanho: formulou-se uma lista
com os comprimentos acumulados de todas as ruas de cada estrato, sendo: 115 ruas (estrato
I), 46 (estrato II) e 33 (estrato III). Com intensidade amostral de 20%, realizou-se um
sorteio aleatório das ruas de acordo com seu tamanho, sendo: 23 ruas (estrato I), 9 (estrato
II) e 7 (estrato III). As ruas de maior comprimento tinham maior probabilidade de serem
selecionadas. Nas ruas selecionadas registrou-se todos os indivíduos.
A característica analisada na comparação entre os métodos de amostragem foi o
número de árvores por km de calçada. Para cada método, determinou-se a média, a
variância, o erro de amostragem, o intervalo de confiança e a intensidade amostral. Os
métodos foram comparados entre si e não com um levantamento total do estrato. A
eficiência de cada método foi analisada segundo a intensidade de amostragem ideal (n),
para obter-se um erro amostral de 10%, com 95% de probabilidade da média verdadeira
estar dentro do intervalo de confiança. O método mais eficiente foi o que apresentou um n
menor. A análise dos métodos foi baseada em FREESE (1962) e QUEIROZ (1977).
No levantamento quali-quantitativo, baseando-se em LIMA (1993), avaliou-se:
Rua: comprimento, tipo (residencial, comercial ou mista), presença de canteiro
central;
Espécie, diâmetro (à 1,30 m) e altura do indivíduo, com os seguintes padrões: altura
1: árvores menores que 2,0 m, altura 2: árvores com mais de 2,0 m e mais baixas que o
cabo telefônico (5,0 m), altura 3: árvores entre o cabo telefônico (5,0 m) e a fiação primária
(9,10 m) e altura 4: árvores que ultrapassam a fiação primária (9,10 m). Mediu-se o
diâmetro com Suta Metálica e a altura com o Dendrômetro Sunnto;
Qualidade do indivíduo: bifurcação (inferior ou superior a 2,10 m), condição da
copa (características típicas da espécie ou não: copa ruim, razoável ou boa) e
comportamento das raízes (danos ao calçamento: totais, parciais ou ausentes). A altura da
bifurcação foi estimada quando abaixo de 2,10 m e medida com o Sunnto quando maior
que 2,10 m;
Condições de plantio: porte da árvore X espaço disponível no local (espécie
inadequada, razoavelmente adequada com alguma característica desfavorável ou adequada

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ao local de plantio), área livre junto ao tronco (inexistente, pequena ou boa), proximidade
de obstáculos (algo que pudesse interferir no desenvolvimento da árvore, a distância de 5 m
de cada lado da planta), presença de tutor nos indivíduos recém-plantados, presença de
fiação elétrica.
Observações quanto à: árvore recém-plantada, frutífera, árvore integra, morta ou
com problemas (poda: coprometimento ou não do indivíduo, presença de doenças e/ou
pragas).
Após a definição do melhor método, analisou-se os indivíduos amostrados por este
método. A distribuição dos DAP’s das 5 espécies mais freqüentes em cada estrato foi feita
segundo MILLER (1988). Também foram feitas comparações entre os 3 estratos estudados.
Para a análise dos resultados utilizou-se o programa SAS (Statistical Analysis System),
versão 6.0 para Windows.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados obtidos pelos métodos de amostragem nos estratos vêm a seguir:

Tabela 1. Média (x), variância (s2), coeficiente de variação (CV%), erro amostral
(E%) e intensidade de amostragem (n), para cada método de amostragem, nos 3
estratos.

Conglomerados
2
s
CV%
E%

Métodos de Amostragem
Prob. Proporcional ao Tamanho
(1)
n
x
s2
CV%
E%

30,18
50,55
67,53

136,61
255,55
227,98

157,67
53,88
70,93

4305,15
506,03
620,95

(1) número de árvores por Km de calçada.

A variância (s2) obtida pela amostragem pro conglomerados, para os 3 estratos, foi
maior em relação à variância obtida pelo outro método pois, na amostragem por
conglomerados ela inclui tanto a variância entre conglomerados (se2), como a variância
dentro dos conglomerados (sd2): s2 = sd2 + se2. Por este motivo também, o CV% e o IC
(tabela 2), foram maiores para a amostragem por conglomerados em todos os estratos.

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Tabela 2. Intervalo de confiança (IC), para os 2 métodos de amostragem, em cada

Conglomerados
157,49 +/- 47,53
50,80 +/- 25,68
71,01 +/- 47,95

IC

Prob. Proporcional ao Tamanho
157,67 +/- 28,38
53,88 +/- 17,29
70,93 +/- 23,05

Nos 3 estratos, a intensidade de amostragem (n) obtida, foi menor para a
amostragem com probabilidade proporcional ao tamanho que para a amostragem por
conglomerados. Por este motivo, a amostragem com probabilidade proporcional ao
tamanho das ruas apresentou-se como o método mais eficiente. Como o número de árv./Km
de calçada foi bastante semelhante nos métodos para os 3 estratos, considera-se que, a
amostragem por conglomerados, também pode ser utilizada no inventário de árvores de
ruas, desde que seja utilizada uma maior intensidade amostral.
Quanto ao número de árv./km de calçada, o maior valor (estrato I, 157,49 árv./km),
se deve ao fato deste caracterizar-se como um bairro tipicamente residencial. Os estratos II
e III, apresentaram valores iguais a 50,80 e 71,01 árv./km, respectivamente, os quais podem
ser considerados baixos em comparação ao estrato I, principalmente no estrato II onde a
maior parte das ruas são do tipo comercial e mista.
Foram medidas 39 ruas e/ou avenidas, sendo apenas 2 delas (5,13%) com canteiro
central. A maior parte das ruas (71,79%), era do tipo residencial, com a maioria dos
indivíduos (53,07%). As ruas e/ou avenidas do tipo comercial e mista apresentaram,
respectivamente, 16,25% e 30,68% dos indivíduos. Foram registrados 2868 indivíduos de
59 espécies diferentes. Poucas espécies (15), representaram 83,0% da população amostrada.
Os 3 estratos apresentaram baixa diversidade de espécies. O estrato I teve maior
diversidade, sendo 20 espécies com número de indivíduos maior ou igual a 10. Nos estratos
II e III encontrou-se, respectivamente, 16 e 7 espécies com mais de 10 indivíduos.
Sibipiruna, resedá, quaresmeira, falsa-murta, hibisco e as palmeiras foram freqüentes nos 3
estratos.

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Tabela 3. Espécies com mais de 1,0% de freqüência e total de indivíduos.

ESPÉCIE
Nome científico
Caesalpinia peltophoroides Benth.
Tipuana tipu (Benth.) O. Kuntze
Tabebuia spp.
Murraya paniculata Jack.
Lagerstroemia indica L.
Terminalia catappa L.
Moquilea tomentosa Benth.
Bauhinia variegata L.
Família Palmae
Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn.
Fícus benjamina L.
Cássia fistuala L.
Hibiscus rosa-sinensis L.
Nerium oleander L.
Callistemon citrinnus Stapf.
Total de indivíduos amostrados

A sibipiruna apresentou distribuição de freqüência por classes de DAP semelhante à
distribuição normal, indicando a presença tanto de indivíduos jovens, como adultos. Isto foi
evidente nos estratos II e III, sendo que no estrato I, a presença de indivíduos bifurcados
abaixo de 1,30 m e o maior número de árvores jovens resultou em maior freqüência de
plantas com DAP inferior a 15,0 em. Tal situação se repete com os ipês, ainda no estrato I.
No estrato I, a distribuição normal ocorreu para o chapéu-de-sol e tipuana, sendo esta a
espécie com maior número de árvores adultas em toda área. No estrato II, a falsa-murta
também apresentou distribuição normal, com diâmetro inferior a 13,0 em. Falsa-murta
(estratos I e III), ipê e escova-de-garrafa (estrato II), quaresmeira e hibisco (estrato III) e
resedá (estratos II e III) tiveram maior número de indivíduos com DAP inferior a 10,0 cm,
o que demonstra a continuidade de seu uso na arborização viária de Piracicaba.
As espécies com grande número de indivíduos com porte superior à 9,10 m foram
sibipiruna e tipuana. Outras espécies de grande porte como, ipês e chapéu-de-sol,
apresentaram a maior parte das plantas com padrão 3. Oiti e figueira-benjamin, também de
grande porte, tiveram a maior parte dos indivíduos com padrão 1 e 2, pelo grande número
de árvores novas. Escova-de-garrafa, hibisco, cássia-imperial e falsa-murta, de pequeno
porte, tiveram a maior parte das plantas com padrão 2. Quaresmeira e resedá, de porte
médio, concentraram os indivíduos com altura abaixo de 5,0 m, por serem árvores jovens.
A pata-de-vaca, de médio porte, com poucas plantas jovens, teve a maior parte das árvores
com padrão 3 e algumas ultrapassando 9,10 m. Oiti, espirradeira, falsa-murta, hibisco e
quaresmeira tiveram grande parte das plantas com padrão 1, indicando que tais espécies são
plantadas com tamanho inadequado. Encontrou-se um valor significativo (10,90%) de
indivíduos nesta situação. A maior parte das espécies (80,67%), apresentou bifurcação

Nome comum
sibipiruna
tipuana
ipê
falsa-murta
resedá
chapéu-de-sol
oiti
pata-de-vaca
palmeiras
quaresmeira
figueira-benjamin
cássia-imperial
hibisco
espirradeira
escova-de-garrafa

No de
árvores
512
505
244
228
193
114
98
87
80
77
73
54
50
41
29
2385

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abaixo de 2,10 m podendo, muitas vezes, vir a atrapalhar o trânsito de pedestres e veículos.
Resedá, falsa-murta, figueira-benjamin, hibisco, escova-de-garrafa, oiti, espirradeira e
quaresmeira, apresentaram-se bifurcadas desde a altura do colo da planta.
As espécies escova-de-garrafa, espirradeira, hibisco, falsa-murta, resedá e
quaresmeira, com grande número de indivíduos jovens, apresentaram DAP médio inferior a
10 cm nos 3 estratos. Já o oiti, apresentou DAP médio inferior a 10 cm no estrato I, por ser
a espécie com maior número de árvores jovens. Tipuana e sibipiruna apresentaram maior
DAP médio, destacando-se a tipuana no estrato I, com 40,68 cm.
A maioria das árvores (97,19%), apresentou copa boa ou razoável, com baixo
percentual (2,81%), com copa ruim. Sibipiruna e tipuana apresentaram mais árvores com
copa razoável. Chapéu-de-sol, resedá, pata-de-vaca e hibisco, também tiveram número
significativo de plantas nesta condição. Oiti, espirradeira, figueira-benjamin, cássia-
imperial, escova-de-garrafa e falsa-murta apresentaram maior parte das plantas com copa
boa. Mais que a metade dos indivíduos (57,80%), causam danos totais ou parciais ao
calçamento pelo sistema radicular. Sibipiruna, tipuana, figueira-benjamin e chapéu-de-sol
são as maiores responsáveis por danos. Todas as espécies mais freqüentes, apresentaram
mais de 15,0% das plantas começando a causar danos, com excessão do oiti, pelo alto
número de árvores jovens. As espécies que menos causam danos são: espirradeira, cássia-
imperial, falsa-murta, quaresmeira e resedá. Apenas 8,91% dos indivíduos de tipuana não
causam danos.
Quanto ao porte x espaço disponível, apesar de haver um alto número (41,65%) de
indivíduos adequados, 58,35% das plantas apresentou-se com alguma característica
desfavorável (24,25%), ou totalmente inadequadas (34,10%). Sibipiruna e tipuana,
apresentaram a maior parte de indivíduos plantados em locais inadequados. Ipê, resedá,
falsa-murta, cássia-imperial, pata-de-vaca, quaresmeira, oiti, espirradeira e escova-de-
garrafa, tiveram maior número de indivíduos em locais adequados. Hibisco, escova-de-
garrafa, chapéu-de-sol, figueira-benjamin e palmeiras, apresentaram grande número de
plantas em condições razoáveis. 50,13% apresentaram área livre pequena ou inexistente. As
espécies que mais preocupam são: sibipiruna, falsa-murta, espirradeira, chapéu-de-sol e
hibisco. Tipuana, ipê, pata-de-vaca e cássia-imperial, concentradas no estrato I, tiveram a
maior parte das árvores com área livre boa, pelo maior número de ruas residenciais, com
largura maior das calçadas. Há um certo equilíbrio entre os indivíduos sob fiação (51,51%)
ou não (48,49%). Espécies de grande porte concentraram seus indivíduos sob fiação, o que
não deveria ter ocorrido. Espécies de pequeno porte localizavam-se onde não havia fiação,
mas poderiam ter sido plantadas com maior freqüência sob fiação. Os obstáculos
encontrados próximos às árvores foram postes, esquinas, suportes para lixo e outras árvores.
A maioria das espécies teve a maior parte das plantas (58,72%), próximas a algum
obstáculo.
Encontrou-se 329 árvores novas (13,79% do total das espécies mais freqüentes). O
estrato I teve maior número de árvores novas (77,81 % das árvores novas), seguido pelo
estrato II (11,25%) e estrato III (10,94%). As espécies mais plantadas recentemente foram:
oiti (64), falsa-murta (57), ipê (40), quaresmeira (33) e resedá (31). A população de nível
social alto, tem plantado mais resedá, oiti, falsa-murta, sibipiruna, espirradeira, quaresmeira
e ipês; a população do estrato 11, plantou mais ipê e resedá e no estrato 111, de nível social

30 e 31 de outubro e 1º de novembro de 1996 – Piracicaba/SP

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baixo, plantou-se mais quaresmeira e falsa-murta. Oiti, falsa-murta e ipê, apresentaram a
maioria das plantas sem tutor. Resedá e quaresmeira apresentaram tutor o qual, muitas
vezes, era uma única estaca de madeira, colocada de forma inadequada junto à muda.
Registrou-se 0,84% de árvores mortas. 66,54% não apresentava-se comprometida
por poda incorreta. A sibipiruna apresentou mais da metade das árvores com problemas
deste tipo. Tipuana, pata-de-vaca e hibisco, também apresentaram alto número de árvores
mal podadas. O resedá, de porte médio, apresentou problemas com poda por ter maior parte
de indivíduos sob fiação, necessitando poda, já que a copa atinge a fiação. As espécies que
menos tiveram problemas com poda foram oiti, figueira-benjamin e cássia-imperial. Podas
mal conduzidas foram mais freqüentes nos estratos II e III. As espécies com mais da
metade de indivíduos infestados por pragas e doenças foram: sibipiruna, tipuana, ipê,
resedá, pata-devaca, palmeiras, cássia-imperial, hibisco e escova-de-garrafa, totalizando
64,18%. Espirradeira, oiti e figueira-benjamin tiveram poucas plantas infestadas. Nos 3
estratos, os problemas com pragas e/ou doenças, foram freqüentes. O estrato III, de nível
social mais baixo, teve maior número de árvores com problemas.
Foram encontradas 11 espécies frutíferas, totalizando 176 indivíduos (6,14%). O
estrato li, apresentou 10 espécies diferentes, seguido pelo estrato I (6 espécies) e estrato
111, (4 espécies). Isto demonstra maior preferência no uso de tais espécies em calçadas
pela população de nível social médio e alto. O oiti representou 55,68% do total de frutíferas
por ser esta a única espécie frutífera que pode ser adquirida pelos moradores em viveiros.

CONCLUSÕES

Os dois métodos de amostragem podem ser utilizados nos inventários de árvores de
ruas da cidade. A amostragem com prob. prop. ao tamanho mostrou-se mais eficiente por
necessitar de um n menor em relação ao outro método, para um erro amostral de 10%, com
95% de probabilidade da média verdadeira estar dentro do intervalo de confiança;
O maior número de árv. por km foi verificado para o estrato I, com 157,49 árv./km,
o qual caracteriza-se como bairro residencial, de nível social mais alto. No estrato II, bairro
onde concentram-se as ruas comerciais, de nível social médio, foram encontrados apenas
50,80 árv./km de calçada. O estrato III, bairro residencial e comercial, de nível social mais
baixo, apresentou valor intermediário de 71,01 árv./km de calçada;
É necessária a realização de inventários quali-quantitativos contínuos das árvores de
ruas da cidade, a fim de monitorar as condições dos indivíduos, fornecendo subsídios para
o manejo e condução da arborização viária no município e implantação de novos projetos;
A cidade apresenta certa homogeneidade em relação às espécies utilizadas. Novas
espécies nativas da região da cidade devem ser estudadas, para que possam ser introduzidas
nos projetos de arborização da cidade. Poucas espécies estão sendo utilizadas nos plantios
recentes, indicando que, no futuro, a ocorrência de muitos indivíduos pertencentes a poucas
espécies, continuará sendo um problema na arborização da cidade;
As mudas dos plantios recentes, são de baixa qualidade com muitas bifurcações
junto ao colo da planta e tamanho inadequado, devendo ser melhor conduzidas em viveiros;
Muitas árvores encontram-se em locais inadequados. Novos plantios devem ser
melhor planejados, para minimizar problemas que prejudicam o desenvolvimento da árvore.

30 e 31 de outubro e 1º de novembro de 1996 – Piracicaba/SP
Fonte da pequiza:
www.ipef.br/publicacoes/curso_arborizacao_urbana/cap01.pdf+Arvore+de+Oiti+Ipef&hl=pt-BR&gl=br&pid=bl&srcid=ADGEESg4eUEk7eWRTcY5S2xvVllfBOuTAF7YL97Qe7QRH8b14twvP8OGm58oNea7-32OLu-TzSkJPE0wBoCCOoqztyrn4duwK642W5rwgqCUPrYnixfAFsSRuKTndiv6hPQoVKLfNo4d&sig=AHIEtbRQAdpQIm2zGf8WchHj0T-2lXFdBQ





terça-feira, 9 de abril de 2013

Oiti - A Arvore da Cidade e do Campo -Temos Mudas de Arvores de Oiti para Vender

oiti
Arvore de Oiti

OITI (Licania tomentosa)


Ocorrência  do Piauí ao norte do Espírito Santo e vale do Rio Doce em Minas Gerais
Outros nomes  oiti da praia, guaili, oiti cagão, oiti mirim, oitizeiro
Características  espécie que atinge altura máxima de 15 m , com tronco de 30 a 50 cm de diâmetro. Copa frondosa e as raízes não são agressivas. As folhas são simples, alternas, elípticas, alongadas, de 7 a 14 cm de comprimento por 3 a 5 cm de largura, pilosas em ambos os lados e de cor verde-clara, quando novas, tornado-se glabras, a pilosidade se destaca quando esfregamos a folha. Quando completamente formadas possuem bordas lisas, superfície lisa e brilhante, cor verde-escura e persistente durante o ano todo. As flores são pequenas e brancas, produzidas em inflorescências (cachos) e resultam  na formação de grande quantidade

de frutos por planta. Os frutos, quando maduros,
apresentam coloração amarela. A planta produz grande
quantidade de frutos de tamanho médio, polpa fina,
 forma ovalada, com cerca de 5 cm de comprimento
e a maior parte tomada por um grande caroço bem resistente,
que é a semente, envolta em massa amarela, pegajosa e
 fibrosa, aroma agradável e saborosa. Um Kg de sementes
 contém aproximadamente 84 unidades.
Habitat  floresta pluvial atlântica
Propagação sementes
Madeira  pesada, dura, resistente, de longa durabilidade.
Utilidade  fornece ótima sombra, devido à sua copa frondosa,
 sendo por isso perfeita para plantio em praças, jardins,
ruas e avenidas, principalmente em regiões litorâneas.
 Frutos comestíveis, com amêndoas ricas em óleo
 e muito procurados pela fauna. A madeira é usada
 para postes, estacas, dormentes e construções civis.
 Indicada para reflorestamentos mistos de áreas degradadas.
Florescimento  junho a agosto
Frutificação - janeiro a março
http://www.vivaterra.org.br/arvores_nativas_2.htm#oiti