domingo, 14 de setembro de 2014

O conhecimento que vem do oiti

Para minimizar o calor, projeto de rearborização com mudas de oiti leva estudantes de 5ª a 8ª série a compreender como o desmatamento interfere nas condições do clima
Foto: Carlos Costa

Clima e vegetação são temas do currículo de Geografia. Costumam ser estudados nos livros e analisados com a ajuda de mapas. Esse aprendizado muitas vezes é enriquecido com a visita a locais onde é possível reconhecer a cobertura nativa ou constatar como ela foi devastada. Para os 130 alunos de 5ª a 8ª série da professora Edilma Antonia dos Santos, essas atividades foram apenas a introdução de um projeto que envolveu toda a comunidade de Jussara, onde está localizada a Escola Agrícola Comendador João Marchesi. Os moradores do município, a 240 quilômetros de Goiânia, têm sofrido com a elevação da temperatura, que já bateu nos 35° C, agravada pela ausência de árvores nas ruas. Mas essa situação começa a ser amenizada justamente porque os estudantes participam de um trabalho de rearborização.
O projeto Plantar É Renascer, coordenado por Edilma, envolveu toda a escola e professores de outras disciplinas. "Discuti com a garotada as transformações sofridas pelas cidades em virtude da urbanização e as conseqüências disso para o homem", lembra Edilma. O principal mérito dela, na opinião de Sueli Angelo Furlan - responsável pela seleção do trabalho no Prêmio Victor Civita de 2006 -, foi levar os jovens a se conscientizar sobre o problema e agir para solucioná- lo."Eles se tornaram atuantes e aprenderam a planejar e, principalmente, a monitorar variáveis, um requisito importante em qualquer projeto ambiental", explica ela (leia mais no quadro abaixo).

O verde e o clima 

A garotada fez um levantamento, por meio de entrevistas com moradores antigos, sobre como havia sido a manutenção das áreas verdes no município desde sua emancipação, em 1958. A conclusão foi a seguinte: não houve planejamento ou preocupação com essa questão na zona urbana.

Em sala de aula, todos debateram as razões para o aumento da temperatura em Jussara e a relação desse fato com a destruição do meio am-biente. Ficou fácil entender que a derrubada de árvores, ocasionada pelo progresso da cidade, era responsável pela forte sensação de calor sentida no dia-a-dia.As atividades incluíram a consulta a mapas e explicações sobre os conceitos de latitude, longitude e altitude. Os jovens localizaram a cidade no estado, na região, no país e no continente e compreenderam como o relevo interfere no clima (Jussara está próxima à serra Dourada,de 1 080 metros de altitude, que bloqueia os ventos).

Observar e agir 

Em uma visita à área urbana do município, as turmas comprovaram que há poucas árvores nas ruas e verificaram a situação do rio Molha Biscoito, que perdeu boa parte da mata ciliar e, em alguns trechos, virou depósito de lixo. Ali, eles aprenderam que as árvores funcionam como um guarda-chuva furado, que diminui o impacto da água sobre o solo.Além disso, suas raízes ajudam a levar essa água até o lençol freático. "Todos viram de perto a erosão nas margens e se conscientizaram sobre a necessidade de preservar o ambiente natural", afirma o professor de Práticas Agrícolas Josemar Lemes Cardoso, um dos parceiros de Edilma no projeto.

De volta à escola, foi aprovada a proposta de arborização urbana como uma forma de amenizar esses problemas. Teve início, então, a seleção da árvore que melhor se adaptaria ao objetivo de recuperar o patrimônio verde. Pesquisas em diversos livros, na biblioteca, levaram à escolha do oiti (Moquilea tomentosa). A espécie se adapta bem ao clima da região, tem porte médio (de 10 a 20 metros de altura e copa com 6 metros de diâmetro) e raiz pivotante (cresce para baixo e não se espalha na superfície, evitando danos às calçadas e às estruturas das edificações).

Logo começou a produção de mudas no viveiro da escola - localizada numa área de 10 alqueires. Todos tinham como tarefa reunir sementes e cuidar da produção de composto orgânico com folhas, esterco e serragem. O material, depois de pronto, era misturado à terra e colocado em sacos plásticos, onde as sementes germinavam. "Na natureza, de cada dez sementes que caem das árvores, só uma nasce. No nosso berçário, nove brotam", diz Edilma. As mudas ficam nesse viveiro durante cerca de dois meses. Depois, são transferidas para uma área próxima, onde permanecem no mínimo um mês até poderem ser plantadas nas covas definitivas na cidade.

Na comunidade 

Divulgar a idéia da rearborização entre a população foi essencial para o sucesso do projeto. Uma parceria com a rádio local facilitou a tarefa. Os jovens iam ao estúdio explicar a importância de Jussara ter mais árvores e informar o bairro que seria visitado. Depois, batiam de porta em porta para perguntar quem se interessava em ter plantada na calçada uma muda de oiti. Se a resposta era afirmativa - o que quase sempre ocorria -, seguia-se a explicação sobre como preparar a cova para receber a planta, que era levada em uma segunda visita. "Se o morador não podia cavar o buraco, os próprios garotos se encarregavam disso", conta Edilma.

Na data agendada, um ônibus lotado de estudantes, professores e mudas de oiti deixava a escola em direção à cidade. A turma desembarcava e voltava às casas visitadas. A cabeleireira Cleib Cristina Cardoso foi uma das beneficiadas pelo projeto. A turma plantou em frente ao salão de beleza dela uma pequena muda de oiti. Ela aprendeu a cuidar da árvore e assinou um termo se responsabilizando por ela.

Essas visitas mudaram a rotina de Jussara. De passagem,moradores de outros bairros viam a movimentação, paravam para saber o que estava acontecendo e já pediam uma muda para colocar em sua calçada. Assim, o projeto ganhou cada vez mais adeptos. Dois meses após o plantio, lá estava o grupo fazendo o acompanhamento. Os jovens mediam a altura do pé, o diâmetro da copa e a quantidade de galhos que tinham nascido. Caso alguma muda não tivesse vingado, era feito o replantio.

Durante 2005 e o primeiro semestre de 2006, 1 560 dos 5 840 domicílios de Jussara foram atendidos. E o trabalho continuou. A avaliação da aprendizagem foi comprovada durante a 1ª Semana do Meio Ambiente, em junho passado. Na ocasião, 687 crianças e jovens de outras 12 escolas visitaram a João Marchesi para conhecer o projeto.As informações eram passadas durante uma trilha ecológica na própria propriedade. Os forasteiros assistiram a palestras dadas por professores, técnicos agrícolas e, claro, alunos. Temas como a mata ciliar, a preparação de mudas e a importância do replantio de árvores foram tratados. Houve distribuição de folhetos e sementes de árvores nativas.

"No fim do trabalho, comprovamos a aprendizagem dos conteúdos de forma contextualizada e ainda atestamos o aprimoramento dos estudantes na sistematização de idéias e na produção textual", afirma Edilma. O professor Josemar completa: "Eles melhoraram muito seu relacionamento com as pessoas, conseguindo explicar os objetivos das tarefas para os moradores com desenvoltura, e passaram a valorizar muito mais a escola". Para os professores, ficou a certeza da importância de fazer da João Marchesi um local sintonizado com os problemas locais e ambientais - e que prepara os jovens para enfrentá-los.

O projeto, em oito etapas 

1. Análise do clima 
Depois de analisar em diversos mapas a localização de Jussara, a professora discutiu com os alunos os motivos que estavam levando a temperatura a aumentar nos últimos anos. Eles compreenderam que o calor era agravado pela ausência de vegetação.

2. Visita ao rio 
Em um estudo do meio, realizado na área urbana da cidade, as turmas conheceram o rio Molha Biscoito. Às margens dele, puderam perceber as conseqüências da derrubada da mata ciliar. Alguns trechos foram assoreados e outros se transformaram em depósito de lixo.

3. Escolha da árvore 
Aprovada a idéia de um projeto de arborização como forma de amenizar as conseqüências causadas pela agressão ao ambiente, foi selecionada a melhor espécie em pesquisas na biblioteca. O objetivo era encontrar uma que tivesse porte médio e raízes que não danificassem as calçadas.

4. Preparação das mudas A garotada produziu mudas no viveiro da escola. Todos tinham como tarefa reunir sementes, que eram levadas para o berçário artificial. Cada semente era colocada num saco plástico cheio de terra preparada com um composto orgânico. Depois de três meses, as mudas estavam prontas para o plantio.

5. Entrevistas com moradores Após divulgarem o projeto de arborização na rádio local, os jovens visitavam as casas e perguntavam aos moradores, como Cleib Cristina Cardoso, quem tinha interesse em ver plantada na calçada uma muda de oiti. Depois, ensinavam a preparar a cova para receber a planta.

6. Plantio das árvores 
O grupo retornava às casas visitadas, na data agendada, para plantar as mudas. Quando um morador não podia fazer a cova, os próprios meninos se encarregavam do trabalho. No momento do plantio, os beneficiados assinavam um termo se comprometendo a cuidar bem do oiti.

7. Visita de acompanhamento Dois meses depois, todos retornavam ao bairro para acompanhar a muda. Era feita a medição da altura do pé e do diâmetro da copa (mais a contagem dos galhos). Tudo era anotado em planilhas e transformado em gráficos. Se uma muda não tivesse vingado, outra era plantada.

8. Trilha ecológica A avaliação do projeto ocorreu durante a 1ª Semana do Meio Ambiente. Estudantes de outras escolas conheceram o trabalho ao assistir a palestras dadas pelos próprios alunos, professores e convidados. Em uma trilha por toda a escola, os visitantes se informaram mais sobre meio ambiente e a turma demonstrou o que aprendeu
Fonte:http://revistaescola.abril.com.br/geografia/pratica-pedagogica/conhecimento-vem-oiti-426592.shtml

sábado, 10 de agosto de 2013

Oitis Mutilados em Rio Preto

érgio Menezes
Oitis predominam na paisagem urbana de Rio Preto, como na rua Ipiranga, Zona Sul 

Oitis são metade das árvores


Além de escassa, a arborização de Rio Preto é mal planejada e pouco diversificada, segundo especialistas. A Secretaria de Serviços Gerais informa que metade das árvores da cidade são oitis. Em alguns bairros, como Alto Rio Preto, a espécie é quase unanimidade. Para especialistas, esse predomínio representa um risco ambiental. “Se alguma praga atingir essa espécie, dizima boa parte das árvores de Rio Preto”, diz a professora de botânica da Unirp Valéria Stranghetti. Por duas vezes, a cidade sofreu as consequências da monocultura na arborização. Primeiro nos anos 70 com a sibipiruna. Na década seguinte foi a vez da canelinha. Ambas foram destruídas por pragas, e hoje são raras na paisagem urbana rio-pretense.

“Temos dificuldade em aprender com esses erros do passado e ainda preferimos o oiti”, diz o secretário de Serviços Gerais, Paulo Pauléra. Apesar das críticas, o próprio Poder Público mantém doações de oitis no Viveiro Municipal. “O oiti não exige solo de qualidade, tem raízes não perfurantes, folhas persistentes e facilidade de manejo. É ótimo para calçada. Agora a espécie paga o preço da popularidade”, diz o secretário de Agricultura do município, Moacir Seródio. Para o especialista em gestão ambiental Roberto de Carvalho Júnior, o predomínio arriscado do oiti é reflexo da falta de um planejamento na arborização de Rio Preto. “A cidade deveria ter um plano diretor sobre o tema que determinasse a espécie de árvore para cada região do município, como em Maringá (PR). O que existe hoje em Rio Preto é a ‘arboriaberração’.” A falta de políticas públicas de arborização é visível em avenidas como a Juscelino Kubitschek, onde sibipirunas convivem com eucaliptos e cajueiros, ou a Murchid Homsi, cujas árvores foram plantadas muito próximas umas das outras, o que gera um problema de segurança pública: à noite o local fica muito escuro e se torna esconderijo certo para usuários de drogas.
Edvaldo Santos
Pé de jaca na calçada de praça localizada em frente ao ARE 

Árvores frutíferas


Pauléra condena o plantio de árvores frutíferas na calçada. “Um pé de manga pode causar um acidente grave se uma fruta cai na cabeça de uma criança”, afirma. A Prefeitura não multa quem erradica árvores frutíferas. “É incentivo para que o morador troque a planta por uma espécie mais adequada.”

A própria Prefeitura, porém, não dá o exemplo: na praça ao lado do Ambulatório Regional de Especialidades (ARE), um pé de jaca é risco permanente aos pedestres. A Secretaria tem uma lista de espécies recomendadas para o plantio urbano - porte pequeno para calçadas com rede elétrica, como ipê rosa anão e grevilha, e porte grande para calçadas livres de fios, como a pata-de-vaca e a falsa pimenteira.

Metade das mudas morre

A erradicação de árvores em Rio Preto é combatida com a doação de mudas pela Prefeitura. O Viveiro Municipal doa uma média de 5 mil mudas por mês. O problema é que o plantio não repõe a perda das árvores porque, com a falta de cuidados, metade das mudas plantadas morre com poucos meses de vida, segundo o secretário de Agricultura do município, Moacir Seródio. Nos canteiros centrais das avenidas, são comuns galhos ressequidos de mudas recém-plantadas. “Tudo o que é novo, se não for bem cuidado, morre. Muitos procuram mudas porque a Prefeitura exige que o lote tenha pelo menos duas árvores plantadas na calçada para se obter o Habite-se. Mas não cuidam devidamente”, diz.

Em 2008 foram distribuídas 250 mil árvores, das quais cerca de 50 mil foram retiradas para plantio em calçadas e o restante para recuperação de mata ciliar. Neste ano, foram doadas 45 mil mudas, conforme Seródio. Cada cidadão, de acordo com o secretário, tem direito a cinco mudas no Viveiro. A Secretaria faz campanhas para o plantio de árvores no aniversário da cidade e na Expô Rio Preto, além de distribuir mudas nas escolas do município. “Buscamos fazer a nossa parte”, afirma. Amanhã, para comemorar o Dia da Árvore, a Prefeitura vai plantar 750 mudas de árvore no lago 3 da Represa Municipal.
Fonte:
http://www.diarioweb.com.br/noticias/corpo_noticia.asp?IdCategoria=166&IdNoticia=126109

domingo, 4 de agosto de 2013

OITIS SERÃO PODADOS PARA MAXIMIZAR VANTAGENS DA ÁRVORE

Oitis precisam ser podados para evitar transtornos futuros. Foto: AssessoriaOitis precisam ser podados para evitar transtornos futuros. Foto: Assessoria
No verão, quando as temperaturas se elevam é que sentimos o valor e a importância de uma árvore, pois as suas sombras amenizam a temperatura. Pensando nisso a Prefeitura Municipal de Naviraí através da Gerencia de Desenvolvimento Econômico e do Núcleo de Limpeza Publica sobre a fiscalização da Gerência do Meio Ambiente, adotará uma técnica de poda para diminuir impactos negativos do oiti, uma das árvores que vem sendo utilizada para arborização da cidade.

A Oiti é uma espécie fornecedora de ótima sombra, devido a sua copa frondosa, com folhas que variam do amarelo ao verde intenso, possui elevado valor ornamental e é muito utilizada na arborização urbana de cidades. Possui madeira de boa durabilidade, e por isso é perfeita para o plantio em praças avenidas e jardins, além de ser recomenda para reflorestamento misto de área degradas.

Apesar se suas vantagens, a oiti é uma árvore que pode atingir mais de 10 metros de altura, e caso isso aconteça, ela terá mais galhos, mais folhas e também ocorrerá a frutificação, produzindo mais de 30kg de sementes por árvore, proporcionando uma cidade suja e também o entupimento de galerias de águas pluviais, além do perigo de arrebentamento de cabos e fios elétricos que sua copa alta oferece.

Analisando as vantagens e desvantagens da árvore é que a prefeitura de Naviraí resolveu atacar as desvantagens, ou seja, não deixar a Oiti com copa alta, podando-a com altura de 3 a 3.5 metros de altura. Esta primeira poda é uma poda educativa, que irá evitar o seu crescimento desordenado e os possíveis transtornos futuros.

Para o gerente de desenvolvimento econômico, o agrônomo Ronaldo Botelho, conduzindo corretamente esta árvore, ela só nos trará alegria, sombreamento, embelezamento e purificação do ar. “Não vamos estragar nem danificar as árvores, pois sabemos o bem que ela nos trás. Pedimos a compreensão e entendimento da população para nossa atitude, já que estamos visando a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos naviraienses”, completa Ronaldo.
Fonte: 
Assessoria
Fonte:http://www.navirai.ms.gov.br/node/2630

sábado, 13 de julho de 2013

O conhecimento que vem do oiti

Para minimizar o calor, projeto de rearborização com mudas de oiti leva estudantes de 5ª a 8ª série a compreender como o desmatamento interfere nas condições do clima

Denise Pellegrini (dpellegrini@fvc.org.br), de Jussara (GO)
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Foto: Carlos Costa
Foto: Carlos Costa
Clima e vegetação são temas do currículo de Geografia. Costumam ser estudados nos livros e analisados com a ajuda de mapas. Esse aprendizado muitas vezes é enriquecido com a visita a locais onde é possível reconhecer a cobertura nativa ou constatar como ela foi devastada. Para os 130 alunos de 5ª a 8ª série da professora Edilma Antonia dos Santos, essas atividades foram apenas a introdução de um projeto que envolveu toda a comunidade de Jussara, onde está localizada a Escola Agrícola Comendador João Marchesi. Os moradores do município, a 240 quilômetros de Goiânia, têm sofrido com a elevação da temperatura, que já bateu nos 35° C, agravada pela ausência de árvores nas ruas. Mas essa situação começa a ser amenizada justamente porque os estudantes participam de um trabalho de rearborização.
O projeto Plantar É Renascer, coordenado por Edilma, envolveu toda a escola e professores de outras disciplinas. "Discuti com a garotada as transformações sofridas pelas cidades em virtude da urbanização e as conseqüências disso para o homem", lembra Edilma. O principal mérito dela, na opinião de Sueli Angelo Furlan - responsável pela seleção do trabalho no Prêmio Victor Civita de 2006 -, foi levar os jovens a se conscientizar sobre o problema e agir para solucioná- lo."Eles se tornaram atuantes e aprenderam a planejar e, principalmente, a monitorar variáveis, um requisito importante em qualquer projeto ambiental", explica ela (leia mais no quadro abaixo).

O verde e o clima 

A garotada fez um levantamento, por meio de entrevistas com moradores antigos, sobre como havia sido a manutenção das áreas verdes no município desde sua emancipação, em 1958. A conclusão foi a seguinte: não houve planejamento ou preocupação com essa questão na zona urbana.

Em sala de aula, todos debateram as razões para o aumento da temperatura em Jussara e a relação desse fato com a destruição do meio am-biente. Ficou fácil entender que a derrubada de árvores, ocasionada pelo progresso da cidade, era responsável pela forte sensação de calor sentida no dia-a-dia.As atividades incluíram a consulta a mapas e explicações sobre os conceitos de latitude, longitude e altitude. Os jovens localizaram a cidade no estado, na região, no país e no continente e compreenderam como o relevo interfere no clima (Jussara está próxima à serra Dourada,de 1 080 metros de altitude, que bloqueia os ventos).

Observar e agir 

Em uma visita à área urbana do município, as turmas comprovaram que há poucas árvores nas ruas e verificaram a situação do rio Molha Biscoito, que perdeu boa parte da mata ciliar e, em alguns trechos, virou depósito de lixo. Ali, eles aprenderam que as árvores funcionam como um guarda-chuva furado, que diminui o impacto da água sobre o solo.Além disso, suas raízes ajudam a levar essa água até o lençol freático. "Todos viram de perto a erosão nas margens e se conscientizaram sobre a necessidade de preservar o ambiente natural", afirma o professor de Práticas Agrícolas Josemar Lemes Cardoso, um dos parceiros de Edilma no projeto.

De volta à escola, foi aprovada a proposta de arborização urbana como uma forma de amenizar esses problemas. Teve início, então, a seleção da árvore que melhor se adaptaria ao objetivo de recuperar o patrimônio verde. Pesquisas em diversos livros, na biblioteca, levaram à escolha do oiti (Moquilea tomentosa). A espécie se adapta bem ao clima da região, tem porte médio (de 10 a 20 metros de altura e copa com 6 metros de diâmetro) e raiz pivotante (cresce para baixo e não se espalha na superfície, evitando danos às calçadas e às estruturas das edificações).

Logo começou a produção de mudas no viveiro da escola - localizada numa área de 10 alqueires. Todos tinham como tarefa reunir sementes e cuidar da produção de composto orgânico com folhas, esterco e serragem. O material, depois de pronto, era misturado à terra e colocado em sacos plásticos, onde as sementes germinavam. "Na natureza, de cada dez sementes que caem das árvores, só uma nasce. No nosso berçário, nove brotam", diz Edilma. As mudas ficam nesse viveiro durante cerca de dois meses. Depois, são transferidas para uma área próxima, onde permanecem no mínimo um mês até poderem ser plantadas nas covas definitivas na cidade.

Na comunidade 

Divulgar a idéia da rearborização entre a população foi essencial para o sucesso do projeto. Uma parceria com a rádio local facilitou a tarefa. Os jovens iam ao estúdio explicar a importância de Jussara ter mais árvores e informar o bairro que seria visitado. Depois, batiam de porta em porta para perguntar quem se interessava em ter plantada na calçada uma muda de oiti. Se a resposta era afirmativa - o que quase sempre ocorria -, seguia-se a explicação sobre como preparar a cova para receber a planta, que era levada em uma segunda visita. "Se o morador não podia cavar o buraco, os próprios garotos se encarregavam disso", conta Edilma.

Na data agendada, um ônibus lotado de estudantes, professores e mudas de oiti deixava a escola em direção à cidade. A turma desembarcava e voltava às casas visitadas. A cabeleireira Cleib Cristina Cardoso foi uma das beneficiadas pelo projeto. A turma plantou em frente ao salão de beleza dela uma pequena muda de oiti. Ela aprendeu a cuidar da árvore e assinou um termo se responsabilizando por ela.

Essas visitas mudaram a rotina de Jussara. De passagem,moradores de outros bairros viam a movimentação, paravam para saber o que estava acontecendo e já pediam uma muda para colocar em sua calçada. Assim, o projeto ganhou cada vez mais adeptos. Dois meses após o plantio, lá estava o grupo fazendo o acompanhamento. Os jovens mediam a altura do pé, o diâmetro da copa e a quantidade de galhos que tinham nascido. Caso alguma muda não tivesse vingado, era feito o replantio.

Durante 2005 e o primeiro semestre de 2006, 1 560 dos 5 840 domicílios de Jussara foram atendidos. E o trabalho continuou. A avaliação da aprendizagem foi comprovada durante a 1ª Semana do Meio Ambiente, em junho passado. Na ocasião, 687 crianças e jovens de outras 12 escolas visitaram a João Marchesi para conhecer o projeto.As informações eram passadas durante uma trilha ecológica na própria propriedade. Os forasteiros assistiram a palestras dadas por professores, técnicos agrícolas e, claro, alunos. Temas como a mata ciliar, a preparação de mudas e a importância do replantio de árvores foram tratados. Houve distribuição de folhetos e sementes de árvores nativas.

"No fim do trabalho, comprovamos a aprendizagem dos conteúdos de forma contextualizada e ainda atestamos o aprimoramento dos estudantes na sistematização de idéias e na produção textual", afirma Edilma. O professor Josemar completa: "Eles melhoraram muito seu relacionamento com as pessoas, conseguindo explicar os objetivos das tarefas para os moradores com desenvoltura, e passaram a valorizar muito mais a escola". Para os professores, ficou a certeza da importância de fazer da João Marchesi um local sintonizado com os problemas locais e ambientais - e que prepara os jovens para enfrentá-los.

O projeto, em oito etapas 

1. Análise do clima 
Depois de analisar em diversos mapas a localização de Jussara, a professora discutiu com os alunos os motivos que estavam levando a temperatura a aumentar nos últimos anos. Eles compreenderam que o calor era agravado pela ausência de vegetação.

2. Visita ao rio 
Em um estudo do meio, realizado na área urbana da cidade, as turmas conheceram o rio Molha Biscoito. Às margens dele, puderam perceber as conseqüências da derrubada da mata ciliar. Alguns trechos foram assoreados e outros se transformaram em depósito de lixo.

3. Escolha da árvore 
Aprovada a idéia de um projeto de arborização como forma de amenizar as conseqüências causadas pela agressão ao ambiente, foi selecionada a melhor espécie em pesquisas na biblioteca. O objetivo era encontrar uma que tivesse porte médio e raízes que não danificassem as calçadas.

4. Preparação das mudas A garotada produziu mudas no viveiro da escola. Todos tinham como tarefa reunir sementes, que eram levadas para o berçário artificial. Cada semente era colocada num saco plástico cheio de terra preparada com um composto orgânico. Depois de três meses, as mudas estavam prontas para o plantio.

5. Entrevistas com moradores Após divulgarem o projeto de arborização na rádio local, os jovens visitavam as casas e perguntavam aos moradores, como Cleib Cristina Cardoso, quem tinha interesse em ver plantada na calçada uma muda de oiti. Depois, ensinavam a preparar a cova para receber a planta.

6. Plantio das árvores 
O grupo retornava às casas visitadas, na data agendada, para plantar as mudas. Quando um morador não podia fazer a cova, os próprios meninos se encarregavam do trabalho. No momento do plantio, os beneficiados assinavam um termo se comprometendo a cuidar bem do oiti.

7. Visita de acompanhamento Dois meses depois, todos retornavam ao bairro para acompanhar a muda. Era feita a medição da altura do pé e do diâmetro da copa (mais a contagem dos galhos). Tudo era anotado em planilhas e transformado em gráficos. Se uma muda não tivesse vingado, outra era plantada.

8. Trilha ecológica A avaliação do projeto ocorreu durante a 1ª Semana do Meio Ambiente. Estudantes de outras escolas conheceram o trabalho ao assistir a palestras dadas pelos próprios alunos, professores e convidados. Em uma trilha por toda a escola, os visitantes se informaram mais sobre meio ambiente e a turma demonstrou o que aprendeu.
Fonte:http://revistaescola.abril.com.br/geografia/pratica-pedagogica/conhecimento-vem-oiti-426592.shtml

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sobre o Oiti



Oiti

Licania tomentosa
Árvore muito cultivada no paisagismo em vias públicas no Nordeste, e principalmente nas cidades de Recife, PE essa frutíferas apresenta porte médio de 15m - em seu habitat é coberto por uma casca áspera e cinzenta e, na mata apresenta manchas esbranquiçadas causadas por liquens. As folhas apresentam até 12 cm de comprimento e 4,5cm de largura, enquanto as flores brancas e hermafroditas nascem em cachos pendentes nas axilas das folhas no segundo semestre. Já os frutos, que surgem de janeiro a março, são drupas ovaladas de cor amarelo - laranjada quando maduros. O sabor do Oiti não é muito agradável e a parte comestível é pequena se comparada ao tamanho do fruto. Nativo da Mata Atlântica e de restinga é encontrado de Pernambuco a Espírito Santo. Propaga-se por sementes que devem ser plantadas na sombra antes da muda ser transplantada para áreas de sol.

Fonte: Frutas do Brasil –Silvestre Silva